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Os anos noventa viram o nascer do grunge rock de Seattle , bandas como Mudhoney , Soundgarden e NIrvana trouxeram distorções, fúria punk e aquele jeito jeito ‘faça-você-mesmo’ tosco que meio que aproxima bandas tão diferentes musicalmente.

Paralelamente ao estas bandas o chamado “som industrial” veio com tudo com bandas como Ministry, Skinny Puppy e – principalmente o Nine Inch Nails de Trent Reznor.

Alinhando o visual gótico oitentista com o som obsessivo do minimalismo e experimentalismo de bandas como Einstürzende Neubauten e Test Dept mais guitarras dissonantes ora calmas ora explosivas o grupo (na verdade Trent Reznor comanda tudo com vários músicos de apoio) concebeu em 1994 o seu melhor álbum, “The Downward spiral” que chegou ao número no topo da Billboard (foi o primeiro álbum independente a conseguir tal feito até sairem “Smash” do Offspring e “Dookie” do Green Day que bateram suas vendas).

“Closer” com seu clipe sombrio foi o hit do álbum que ainda tinha a ‘metálica’ “March of The Pigs”,  a ‘destruidora’ “Mr Self Destruct” e a ´morbida “Piggy” – o disco foi gravado na mesma mansão que Sharon Tate (então mulher do diretor Roman Polanski) foi assassinada por Charles Manson e seu grupo de malucos, a letra faz alusão aos gritos de ‘porcos’ que o grupo fazia enquanto matavam Tate e as demais pessoas que estavam na casa.

Um primor técnico. Vocais indo do sussuro ao berro, guitarras estridentes, ora calmas no conduzem até “Hurt”, balada tocante dedicada a um amigo recém falecido por overdose de heroína e que anos depois seria regravada por Johnny Cash , fato que lhe deu outra cara e a tornou tão linda quanto a versão do NIN.

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   Melhor começar falando de uma banda símbolo do chamado “noise rock”. No começo dos anos noventa (e pré-grunge) o hype era usar calça baggy, franjinha e por teclado Moog com batidinhas dançantes. Eram tempos de Inspiral Carpets, Real People, Chapterhouse, Stone Roses , etc. Ou seja, tempos de madchester – aquele som psicodélico dançante que tinha como símbolo o Happy Mondays. Caminhando junto com estas bandas tinhamos os shoegazers (Ride, My Bloody Valentine, Pale Saints) que faziam algo entre o pós-punk, climas sixties e ruídos & distorções diversas. Eram boas bandas, excelentes até. Mas muitas delas também adotavam o chamado “dream pop”, vocais etéreos, velocidade reduzida, algo como um Cocteau Twins sem tanto talento. Ou seja, eram bandas chatas para caralho. O Skywave pode ser classificado como shoegaze pois a muralha de pedais e distorções é impressionante. Aliado a essa massa caótica eles também misturam sintetizadores e vocais pop soterrados em tanta microfonia. É barulho ensurdecedor, seco, incessante. Membros do Skywave formaram o mais hypado (e também sensacional) A Place to Bury Strangers.

   Divirtam-se!

   Mais informações no ótimo blog “Amor Louco” em: http://amorloucobr.blogspot.com/2008/08/skywave-synthstatic-2003.html

 

“][7 Year Bitch - Fazendo Barulho]

[7 Year Bitch - Fazendo Barulho

Barulho.

   O que é barulho…

   Um solo de bateria de John Bonham em alguma gravação ao vivo do Led Zeppelin da apoteótica “Moby Dick” ?   Um improviso de vinte minutos entre Lee Ranaldo e Thurston Moore do Sonic Youth em “Diamond Sea”, daqueles com cano de ferro fazendo microfonia aos serem esfregados nas cordas de suas guitarras baratas ?  Mike Patton berrando como cama para os solos de saxofone, guitarras desafinadas e demais bizarrices do Mr Bungle?  Tom Araya celebrando : “Violence is my passion” em “Dittohead” do sinistro “Divine Intervention” de 1994?  Os experimentos punk-industriais que unem Jello Biafra e o Ministry no Lard?  Um Neil Young irado quebrando tudo juntamente com o Pearl Jam numa versão destruidora de “Rockin’ Free World” num show do VMA’s de 1992? Kurt Cobain vomitando toda sua desilusão em “Endless, Nameless” ?

   Tudo isso e um pouco mais.

   O barulho nos faz acordar. De tudo. Das nossas divagações ao olhar um caderno velho numa sala de aula qualquer. Da infância das espinhas e revistas de mulher pelada. Nos salva do Jonas Brothers, funk carioca, r&b enlatado, axé , nos faz descobrir as belezas de ouvir o “Rocket To Russia”, do “The Real Thing” e do “Mother’s Milk”, nos permite ver por entre os riffs altos a força de um “Led Zeppelin II” , faz trocarmos nossa coleção de cds da Pitty pelo ACDC ou por qualquer coletânea chulé do Sammy Davies Jr. Sem ele estaríamos vendo e ouvindo neofolk, eletrorock, new rave e todos os demais rótulos odiosos que infestam nossa – moribunda – crítica “cultural” brasileira.

   É o barulho que impulsiona nossas vidas seja ele o do rádio do carro quando saímos do trabalho putos por causa do chefe ou coisa do tipo e mandamos um “Bombtrack” do Rage Against the Machine ou quando vamos a um jogo de futebol e “nomeamos” a mãe do árbitro com aqueles nomes bonitos a todo os pulmões. E este barulho que anima nossas manhãs de sábado, nossas descobertas músicais – de “Tomorrow Never Knows” à “Walk This Way” e todas as festas que surgirão em nossas vidas. O som e a fúria só terão cimento para se moldarem com o barulho, de uma bateria Pearl socada no máximo, de uma Stratocaster ou Les Paul malditamente desafinada no talo, de um groove solto de um baixo, se possível emulando algo entre a turma do George Clinton e o Cliff Burton, e um berro desesperado de um pinguço falando da tal auto pista para o inferno.

   Este blog foi criado para falar de barulho, muito barulho. Seja ele de rock, hard rock, hardcore, heavy metal, digital hardcore, break beats, noise vanguarda etc etc etc. Como estamos na era da malfadada APCA e da “Caça às Bruxas” não postarei links de download, apenas alguns blogs que recomendo sobre o tema em questão e ai cabe a você ir atrás ou não, é problema seu. Também postarei links do Youtube, de sites bacanas e demais assuntos como zines, podcasts, programas de rádios etc.

Oh, Deus, eu sou o sonho americano!
Eu não acho que sou exagerado
E eu sou um filho da puta gostoso
Eu vou arranjar um bom emprego e ser bem rico —– Graças ao Freddie eu sou um espádico erótico —– E o meu nome é Bobby Brown

[Frank Zappa , "Bobby Brown"]

 

   Seja bem vindo ao inferno.

 

 

   Andy Nakamura

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